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Significados da vitória de Fátima e Eron

As derrotas são sempre mais didáticas para extrairmos explicações que as justifiquem. Depois delas, é fácil encontrarmos razões para a resignação e o inconformismo, diferentemente das disputas exitosas que nos levam a uma acomodação, ao conformismo não-reflexivo, também a uma euforia necessária. Julgo ser pertinente, no calor desta segunda-feira, pós eleições, entendermos os significados que tornam este pleito um evento importante em nossa jovem história política, que logrou a majoritária de Cortês a primeira mulher prefeita, Fátima Borba. O êxito desta campanha reside no conteúdo, nos meios e na forma de fazer política. Sobre este sucesso, algumas observações: 1. A disposição do grupo político do ex-prefeito Ernane Borba de escuta ao contraditório e a capacidade de realização de uma autocrítica. A construção de um projeto nasce a partir da destruição de visões cristalizadas e centralizadoras. As tomadas de decisão realizadas de maneira coletiva, favoreceram o entendimento do sentiment
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Henrique, o homem de Deus

A Igreja no Brasil chora a perda de Dom Henrique Soares da Costa, bispo de nossa querida Diocese de Palmares, vítima da nefasta Covid-19. Conheci Dom Henrique Soares no ano de 2014, logo quando foi nomeado bispo de Palmares, lembro-me que naquele momento maratonava pelas madrugadas a infinidade de seus vídeos e textos na internet. Antes mesmo da publicação do seu livro “Escatologia - Sobre o Fim do Mundo”, eu já havia me adiantado e reunido os seus escritos disponíveis e os imprimido, o material era excelente. Algo chamava-me atenção naquele pequeno gigante. Identifiquei de imediato a sua singularidade. A forma apaixonada e apaixonante com a qual falava Cristo e da Igreja, a profundidade do seu conteúdo, o jeito culto, simples e catequético de expor as coisas celestes, mas, sobretudo, sua capacidade de cativar a todos. Felizmente tive o privilégio de conhecê-lo mais de perto, primeiro em minha paróquia, depois como “seu” seminarista, pois desta forma carinhosa ele nos chamava. Meu pr

Do vírus para nós

O momento presente é convidativo para fazermos uma revisão de nossa vida e direcionarmos para onde querermos ir enquanto civilização. Rever valores, reconstruir vínculos, cultuar o simples, são algumas das coisas que temos feito ou podemos fazer na reclusão de nossas casas. Penso que o vírus, este organismo invisível que nos atormenta, tenha nos empurrado para o palco real de nossa existência, no momento em que finalmente conseguimos a liberdade que tanto almejamos. Livres do nosso trabalho, livres de nossas aulas, de nossas reuniões entediantes, das companhias insuportáveis... Até o nosso inimigo invisível chegar era comum dizermos ou ouvirmos: “Preciso de um tempo para mim!” Pois é amigo este tempo chegou, e parece-me que ainda não estamos preparados para fazer uso dele. As músicas populares guardam uma porção de ensinamentos que nos auxiliam no entendimento da realidade que nos cerca, “O que é eu vou fazer com esta tal liberdade” , por exemplo, é uma canção brasileira de Fábio J

Cortês: Emancipação Política, um horizonte...

Engana-se quem pensa que a Emancipação Política de Cortês, que hoje celebramos seu sexagésimo sexto ano, já é uma realidade em nosso município. O que fizeram os vereadores cortesenses na Câmara de Amaraji, culminando no projeto elaborado na Assembleia Legislativa que erigiu Cortês e outros 11 municípios a 29 de dezembro de 1953, foi somente, e tão somente o início da busca de nossa autonomia política, que por ora ainda é nosso horizonte. Deste modo, estamos nos emancipando... Não somos emancipados, no sentido estrito da palavra latina ‘emancipacio’, que quer dizer tornar-se livre. Na medida em que, nosso povo se vê refém das mesmas elites políticas que nos governam nestas quase sete décadas e as mesmas famílias que trabalham para se perpetuarem no poder local. De igual modo, quando sem perspectiva, assistimos a migração em massa de nossos munícipes, na maioria jovens, para as grandes cidades, pela ausência de emprego, porque não modernizamos nossa indústria. Nossas elites, infeliz

Docência e(é) sacerdócio

Na noite da última quarta-feira de fevereiro, dia 27, recebemos o grau de licenciados em História pela UFPE. Embora exaustivo, os ritos são bastante significativos na vida em sociedade, demarcam o fim de uma trajetória e o início de uma outra, possuem um caráter de ruptura e, por que não dizer, mágico. A presença dos familiares, amigos e professores, o vestuário, o juramento e a recitação das orações são pedagógicas ao nos ensinar que somos a partir de então profissionais na área que escolhemos ser. Diria que a noite foi cinematográfica, em todos os sentidos, tanto pelas lentes das câmeras e Smartfones, que nos perseguiam a cada instante, quanto pelos flashes, que nós formandos fazíamos desde que chegamos no local da cerimônia, sobre nossa trajetória na universidade. A presença de nossos pais, o reencontro com amigos do início do curso, as histórias lembradas figurou um ambiente fértil para rememorarmos o que vivemos nos quase cinco anos da graduação. Certamente, a cerimônia proporcio

O susto e a solidariedade

Sempre tento aprender com o que me acontece. Hoje a tarde fui vítima de um assalto no Engenho do Meio próximo a UFPE em Recife. Levaram-me praticamente tudo o que tinha, meu celular, minha bolsa com meus livros, cartões e documentos. Foi uma ação rápida, mas o suficiente para me deixar sem chão. Foi assim que eu me senti, sem meu celular, sem meus documentos (dinheiro eu já não tinha), um indigente... Desnorteado e sem saber o que fazer pedi ajuda a um rapaz que nunca vi na vida, parecia que nos conhecíamos há anos, ele estava mais preocupado com minhas coisas do que eu, penso. Não sei por qual razão e sentido, mas ele me pôs em sua bicicleta e lá estávamos nós a procura de minha bolsa. Resultado? O esperado, nada de bolsa. Mas, ao longo do trajeto (nem havia trajeto) ele me dizia: "Você vai encontrar sua bolsa irmão, eles não querem documentos e livros não! Se acalme!" Embora não acreditasse naquilo, aquelas palavras (divinas) foram me trazendo paz. Depois de nenhum resul

500 Anos da Revolução Protestante

A celebração dos 500 anos da Revolução Protestante é uma ocasião muito oportuna para refletimos sobre o cristianismo atual, sobre a premissa da livre interpretação bíblica defendida por Martinho Lutero é quase impossível contabilizar a infinidade de igrejas existentes no mundo, do luteranismo autêntico às bizarrices neo-pentecostais e seitas ditas cristãs assistimos a um crescimento de um mercado religioso muito forte.  Diante destas questões devemos considerar duas coisas:   I- uma conciliação do catolicismo com estas confissões cristãs é algo impossível, ambas possuem dogmas muitos distintos entre si; II- não podemos generalizar o protestantismo, existem instituições sérias e comprometidas com os valores evangélicos.  Ouço muitos comentários infelizes que aguçam ainda mais o ódio entre as religiões, tenho vários amigos protestantes, nos amamos e nos respeitamos. Quando me falam que é impossível uma convivência fraterna sempre os tomo como exemplo, ecumenismo não é obrigar o outro