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O susto e a solidariedade

Sempre tento aprender com o que me acontece. Hoje a tarde fui vítima de um assalto no Engenho do Meio próximo a UFPE em Recife. Levaram-me praticamente tudo o que tinha, meu celular, minha bolsa com meus livros, cartões e documentos. Foi uma ação rápida, mas o suficiente para me deixar sem chão. Foi assim que eu me senti, sem meu celular, sem meus documentos (dinheiro eu já não tinha), um indigente... Desnorteado e sem saber o que fazer pedi ajuda a um rapaz que nunca vi na vida, parecia que nos conhecíamos há anos, ele estava mais preocupado com minhas coisas do que eu, penso. Não sei por qual razão e sentido, mas ele me pôs em sua bicicleta e lá estávamos nós a procura de minha bolsa. Resultado? O esperado, nada de bolsa. Mas, ao longo do trajeto (nem havia trajeto) ele me dizia: "Você vai encontrar sua bolsa irmão, eles não querem documentos e livros não! Se acalme!" Embora não acreditasse naquilo, aquelas palavras (divinas) foram me trazendo paz. Depois de nenhum resultado, despedi ele e o agradeci. Sem saber o porquê, continuei a procurar a bolsa, quando felizmente encontrei uma amiga, que prontamente me deu algum destino e me disse o que tinha que fazer, pois eu não sabia. Fomos a Casa do Estudante, onde moro, chegando lá o segurança e a secretária me acalmaram com muita delicadeza, me senti em casa. Minha amiga me deu uma bicicleta e me mandou abrir um BO (Boletim de Ocorrência) na delegacia. Não sei como consegui pedalar, mas cheguei lá. Na prescrição do BO não foi lá as mil maravilhas, paciência. Voltei para casa sabendo que aquilo não iria dá em nada, mais um registro para a estatística de furto em Pernambuco. Acho que estava com mais raiva pela impunidade do que pela perda dos meus pertences, passou depois. Chegando em casa, a paz foi chegando, me recordava do rapaz da bicicleta me tranquilizando e dizendo que encontraria meus documentos, por alguma razão esperançava isto, mas, deixei pra lá. Terminada a saga do cancelamento de cartões, liga meu irmão dizendo que por providência divina um amigo de um primo nosso encontrou meus documentos e livros. Me foi dito, eu não acreditei. Em êxtase agradeci a Deus, é só o que fazemos neste momento. Não sei por qual razão estou escrevendo isto, nem porque você me lê, mas se for para lhe deixar algo de útil, quero lhe dizer que há muita gente bacana no mundo, gente que se preocupa com a preocupação da gente, digo. Recuperado o ânimo, penso como retribuir a estas pessoas por todas as expressões e gestos de solidariedade e descubro que não sei. Talvez eu nem as veja mais, nem tenho seus telefones para lhes mandar uma mensagem, paciência. Anjos são anônimos, sem endereço e identidade, aparecem de repente e mudam nossa vida: o cara da bicicleta, minha amiga, os funcionários, meu irmão, meu primo, o rapaz que encontrou meus documentos, os amigos que me ouviram, você que me lê... Vida que segue! Amanhã tenho que voltar a estudar, tenho meu TCC para terminar, este susto não vai me tirar a paz, existem coisas mais importantes que o que perdi, espero que os que me roubaram sejam felizes e saíam do crime.
Aos distantes, aos que se preocuparam, a Mainha e Painho, estou bem, muito bem!
Deus manda anjos!
(Luis Felipe Durval)

Paz e bem para todos nós!

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