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Cortês: Emancipação Política, um horizonte...

Engana-se quem pensa que a Emancipação Política de Cortês, que hoje celebramos seu sexagésimo sexto ano, já é uma realidade em nosso município. O que fizeram os vereadores cortesenses na Câmara de Amaraji, culminando no projeto elaborado na Assembleia Legislativa que erigiu Cortês e outros 11 municípios a 29 de dezembro de 1953, foi somente, e tão somente o início da busca de nossa autonomia política, que por ora ainda é nosso horizonte.
Deste modo, estamos nos emancipando... Não somos emancipados, no sentido estrito da palavra latina ‘emancipacio’, que quer dizer tornar-se livre. Na medida em que, nosso povo se vê refém das mesmas elites políticas que nos governam nestas quase sete décadas e as mesmas famílias que trabalham para se perpetuarem no poder local.
De igual modo, quando sem perspectiva, assistimos a migração em massa de nossos munícipes, na maioria jovens, para as grandes cidades, pela ausência de emprego, porque não modernizamos nossa indústria. Nossas elites, infelizmente tratam nossa terra como apêndice (‘quintal’, quero dizer) de seus casarões, basta ver o declínio da cultura canavieira, e sua instrumentalização para finalidade partidária nos quadriênios eleitorais, lamentavelmente há quem pense que só há fome da gente simples de quatro em quatro anos.
O cenário ainda é mais triste quando entregamos ou queremos confiar cargos eletivos a gente que não dá um dia de serviço na cidade, que desconhece nossos becos e ladeiras, que não tem nosso rosto, nem conhece nossa história, e muito menos, conhece o nome do nosso povo. Tudo isto nos leva a crer que nossa emancipação é uma luta constante, não um fato dado no passado, mas um vir a ser construído por nós cidadãos.
Este desejo incontido de construir a cidade já emancipada, é expresso em nosso jornal local A Cidade no seu primeiro ano de circulação (1954), quando escreve o colunista: "Hoje somos uma cidade. É com muito orgulho que escrevemos Cidade de Cortês. Os homens da legislação e do governo permitiram que o velho sonho, de gente do presente e do passado se concretizasse. Temos nosso município. Existe, agora, uma grande responsabilidade para nós. Temos que fazer do nosso lugar uma grande terra."
Temos as potencialidades necessárias para fazer valer esta vontade antiga, de fazer da pequena Cortês uma grande terra, nossos recursos naturais são privilegiados com condições para o turismo rural e ecológico, nosso solo é propício à agricultura familiar, somos banhados por um rio dentro da cidade e, para completar, temos um povo criativo, cheio de fé e trabalhador.
Quando pois virá nossa emancipação política? Ela não virá! Se depender daqueles que nos governam ou dos querem nos governar. Nós precisamos ir a ela... O grito de liberdade legítima deverá ser dado quando cada trabalhador tiver a seguridade de um emprego, quando fizermos o bom uso de nossas riquezas, quando proporcionarmos aos nossos jovens a possibilidade de crescimento em nosso nicho, quando finalmente, os quadros políticos forem formados pela gente simples, cortês e trabalhadora (sem grande sobrenome), mas que governe com o coração e os anseios da população. É deste e não doutro modo que poderemos afirmar nossa autonomia política.
Texto: Luis Felipe Durval | Cortês, 29/12/19.

Foto: cortes.pe.gov.br/

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